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| Foto: Junior Santos |
A equação para o problema da superpopulação nos presídios e cadeias públicas do Rio Grande do Norte, que é comum a todos os estados do País, ainda vai demorar algum tempo. De curto prazo, o secretário estadual da Justiça e da Cidadania, Thiago Cortez, informa que haverá a abertura de mais 402 vagas na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, tão logo a Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern) conclua as obras das valas de infiltração no novo pavilhão de celas.
Thiago Cortez também informou que o governo do Estado retomou as obras da reforma da cadeia pública de Mossoró, cuja capacidade é para 86 presos, mas se encontram 150. Lá, também serão abertas 86 vagas.
Já na antiga Deprov, situada na avenida João Medeiros Filho, na Zona Norte de Natal, Cortez informa que o prédio está sendo transformado em Centro de Detenção Provisória (CDPs) para abrigar 120 presos.
Fora isso, o secretário de Justiça e Cidadania diz que estão sendo encaminhadas outras soluções de médio prazo, como a cadeia pública de Lajes, que terá uma capacidade para abrigar 187 presos: "O projeto tinha problemas, era tão fantasioso, que tinha até previsão de banho quente para os presos".
Cortez disse que a cadeia pública de Lajes está orçada em R$ 9 milhões, "dinheiro federal que está nos cofres do Estado desde 2009". Mas, segundo ele, o governo já pediu e o Ministério da Justiça aprovou o alongamento do prazo de execução das obras até 2012: "Nós vamos apresentar o novo projeto ao Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e à Caixa Econômica Federal, e se for aprovado, a construção sai em oito meses".
Segundo o secretário, o governo também está trabalhando para sanar as irregularidades "cometidas no passado e quando não fizeram nada", relacionadas aos projetos de construção das cadeias públicas de Ceará-Mirim e Macau, que foram objeto de auditoria por parte do Tribunal de Contas da União (TCU). Cada uma dessas cadeias vão ter 90 vagas.
Outro projeto acalentado pelo governo estadual é a reforma do Hospital de Custódia, estimada em R$ 11 milhão, mas que está com o projeto pendente de aprovação pelo Depen. "O projeto antigo estava cheio de irregularidades, mas o dinheiro já está aqui, criando também 52 vagas femininas".
Para o secretário, no que for de competência do Poder Executivo, para acabar com o problema da superlotação carcerária, "indubitavelmente é a construção de cadeias públicas e abertura de novas vagas".
Por isso, continuou o secretário, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) já pleiteou no Ministério da Justiça a construção de dois presídios, um para jovens delinquentes e outro feminimo.
"O problema hoje é se entra mais preso do que sai, como se fosse uma entrada por um cano de dez polegadas e a saída por um de meia polegada", questionou ele.
Deficit é de 2.600 vagas no RN
O sistema prisional do Rio Grande do Norte conta, hoje, com 5.477 presos, segundo dados da Coordenação de Administração Penitenciária (Coape), vinculada à Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc). O número é praticamente duas vezes mais que a capacidade das cadeias públicas, centros de detenção provisória e presídios estaduais, que é de 2.792 vagas.
O maior número de presos fica no Presídio Estadual de Parnamirim, onde estão 717 presos para 288 vagas. Desses, 498 pessoas cumprem pena em regime fechado e 179 no semiaberto, enquanto 40 são do regime aberto.
Na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, estão 662 presos, enquanto a sua capacidade é de 420. Lá, existem 578 presos no regime fechado e 84 no regime provisório.
O secretário estadual da Justiça e Cidadania, Thiago Cortez, também disse que a nova lei penal, que permite o relaxamento da chamada prisão preventiva para os casos de crimes de menor gravidade, "amenizou um pouco a situação".
Mas, explicou Cortez, mesmo antes da nova lei entrar em vigor, o que ocorreu em 4 de julho, o sistema penitenciário estadual já havia cumprido 300 alvarás de soltura: "Acredito que a soltura de presos vai ter um impacto maior no momento que for bem executada, ainda estamos na parte de aplicação dela".
Para o secretário, o problema maior do sistema carcerário não é o de ofertas de vagas para o regime fechado, mas a situação dos presos provisórios, "aqueles que aguardam julgamento", pois a legislação penal manda que em cada comarca deve existir uma cadeia pública. "Nós só temos cinco cadeias públicas, faltam 64", disse ele.
A fim de suprir essa deficiência, o secretário disse que já colocou no projeto Plurianual de 2010/2015 a ser votado e aprovado na Assembléia Legislativa, a previsão para a construção de 28 cadeias públicas no Rio Grande do Norte.
"Nós vamos começar pelas comarcas maiores", disse o secretário, a respeito do fato de que o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), vinculado ao Ministério da Justiça, "vai começar a fomentar a construção de cadeias públicas nos estados".
O coordenador de Administração Penitenciária da Sejuc, José Olímpio da Silva, disse que a superlotação dos presídios "é um fato notório", e que isso não terá solução, "enquanto o estado brasileiro não vi o sistema penitenciário como parte da segurança pública".
Justiça tem 72 mil processos tramitando
Cerca de 72 mil processos de ações penais tramitam na Justiça, segundo o juiz corregedor auxiliar Bruno Lacerda Bezerra Fernandes, que atua no Grupo de Apoio à Execução Penal (GAEP) do Poder Judiciário: "Nos processos estão incluídos os de execução penal e aqueles de 'conhecimento', que não têm sentença condenatória".
Enquanto a Justiça vem analisando esses processos, o juiz Bruno Lacerda disse que o GAEP, desde a sua formação em 2009, já analisou 14.184 processos de presos provisórios, que aguardavam julgamento ou que já tinham cumprindo parte da pena e não tinham sido julgados, como também aqueles que tinham direito a benefícios, como progressão de regime.
Estrutura
Lacerda explicou que o GAEP é composto por oito juízes, que não se afastam de suas outras atividades, e até agora colocou em liberdade 642 presos.
No primeiro ano de realização do chamado "mutirão carcerário", contou Lacerda, foram analisados 4.268 processos e soltos 410 presos.
Em 2010, como "já havia sido dado andamento aos processos", foram analisados mais 5.543 processos, mas o número de presos postos em liberdade caiu para 158.
Este ano, nos primeiros oito meses, o Grupo de Apoio à Execução Penal analisou 4.373 presos e pôs em liberdade 74. O mais recente mutirão foi realizado em Caraúbas e Pau dos Ferros, entre os dias 25 e 29 de julho.